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Indicação de voto favorável do PSD a vice do Chega (e suspense do PS) leva Ventura a agradecer “normalização”

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Indicação de voto favorável do PSD a vice do Chega (e suspense do PS) leva Ventura a agradecer "normalização"

Depois de o líder parlamentar do PSD apelar aos deputados sociais-democratas que votem a favor do candidato apresentado pelo Chega ao lugar de vice-presidente da Assembleia da República, e de a bancada socialista ter liberdade de voto – mas com Eurico Brilhante Dias a dizer que pessoalmente votará contra -, André Ventura agradece o cenário de “normalização” do seu partido e fica agora na expectativa de que pelo menos 16 socialistas apoiem Rui Paulo Sousa.

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O apoio dos sociais-democratas e esse cenário de “normalização” (termo em que insistiu uma dezena de vezes em declarações aos jornalistas no Parlamento) levou já o líder do Chega a começar a olhar para 2026. “[O voto a favor] vem no seguimento da normalização das relações que queremos ter e fica claro que em 2026 tem que haver esta normalização para uma solução governativa à direita”, afirmou, mas mais tarde acabou por admitir que esse cenário a quatro anos “não foi colocado” na conversa que teve com Luís Montenegro sobre a votação desta tarde. “Quer o PSD, quer o Chega ainda têm eleições internas até 2026″, salientou.

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Num email enviado aos deputados sociais-democratas nesta manhã de quinta-feira, Joaquim Miranda Sarmento invoca a “prática parlamentar” que atribui o direito a indicar nome para vice-presidente da Assembleia da República aos quatro partidos mais votados. “Nesse sentido, a direcção do grupo parlamentar apela às senhoras e senhores deputados que votem a favor da candidatura apresentada nas eleições se que realizam hoje”, escreve Joaquim Miranda Sarmento, citado pela Lusa.

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O presidente da bancada social-democrata defende que o PSD “nunca inviabilizou as candidaturas apresentadas por todas as forças políticas que se encontraram nessa situação” e que “a prática parlamentar estabelecida desde sempre atribui aos quatro partidos mais votados a possibilidade de indicarem um deputado para exercer a vice-presidência da Assembleia da República”. No entanto, não é prática da bancada social-democrata dar indicação de voto por email aos deputados para questões deste género.

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Numa declaração aos jornalistas, André Ventura não se cansou de utilizar o termo “normalização” para falar deste novo cenário de maior pacificação numa questão que foi motivo de polémica logo no início da legislatura, quando a larga maioria do plenário (mais de 80%) chumbou os nomes de Diogo Pacheco de Amorim e de Gabriel Mithá Ribeiro para o ligar de vice-presidente da Mesa do Parlamento

O líder do Chega confirmou que abordou Luís Montenegro sobre o assunto, assim como o líder liberal, João Cotrim de Figueiredo – de quem tem a “indicação não oficial de que a IL assume o mesmo sentido de voto” positivo. “Esta posição de Joaquim Miranda sarmento foi concertada com Luís Montenegro e comigo e é assim que a direita deve funcionar. Com as suas diferenças, mas com os olhos em 2026.” André Ventura afirma que tendo em conta que entre os três partidos se contabilizam “cerca de cem votos, faltam 16”. “Vamos ver se o PS vota a favor ou se continuamos neste impasse.”

Na verdade, os três partidos juntos representam 97 deputados, pelo que, se estivessem presentes todos os deputados, seriam precisos pelos menos 116 votos favoráveis. Mas não estão: pelo menos Joaquim Miranda Sarmento faltará por estar nos Açores – ironicamente, a região onde o Governo social-democrata tem o apoio do Chega e de onde o líder parlamentar enviou o email aos seus deputados. Se não faltar mais nenhum parlamentar, Rui Paulo Sousa precisará de 115 votos “sim”

“É um sinal importante para nós”, vincou André Ventura. “Sei que muitos deputados socialistas entendem que o regimento e a Constituição são claros e que não devem continuar a boicotar a eleição de um representante do Chega para vice-presidente. Tenho boas expectativas (…) embora saiba que o voto é secreto.” Uma expectativa que o levou a agradecer os “incentivos” e o “respeito institucional” entre os partidos que assim reconhecem os resultados das legislativas de 30 de Janeiro